O Rodoanel, a FAAP e o Destino
Neste mês, (16/04) o blog celebra mais um ano de vida. Ao olhar para trás, percebo que os momentos mais marcantes foram aqueles em que a teoria e a prática se chocaram. Um desses momentos aconteceu em um auditório familiar, mas com uma tensão nova: o encontro entre a minha formação, o futuro governo de São Paulo e o destino de uma obra que parecia eterna.
O Embate Necessário
O destino de uma metrópole nem sempre se decide nas pranchetas de engenharia; às vezes, ele é confrontado no pé do ouvido, quando as luzes do palco começam a se apagar. Por muito tempo, acompanhei as obras do Rodoanel sozinha, eu e este blog, em um diálogo constante, mas muitas vezes isolado. Contudo, pulsava dentro de mim a vontade de enfrentar uma autoridade e cobrar respostas; era o único caminho para não mais me sentir sozinha nessa vigilância.
Como ex-aluna da FAAP, retornar ao campus para o evento Estadão x FAAP em 2022, com os candidatos ao governo foi mais do que um convite; foi uma convocação. Eu não estava ali apenas para ouvir. Eu queria respostas sobre a ferida aberta da nossa infraestrutura: o Rodoanel Norte, paralisado desde 2018.
O Choque de Realidades
O destino de São Paulo merece respostas concretas do candidato ao maior estado da nação. Afinal, a promessa de “vamos terminar” era o refrão que todos os outros candidatos repetiam há anos, enquanto o mato crescia sobre o concreto inacabado.
Ali, naquele espaço, aconteceu o contraste que o título sugere:
- A Brutalidade Logística: O Rodoanel, que representa a periferia, o fluxo pesado de carga e o isolamento das estradas.
- A Sofisticação Intelectual: A FAAP, em Higienópolis, representando o centro histórico, as artes e a elite acadêmica.
O Círculo que se Fecha
Aquele embate mudou a temperatura do encontro. Fiz o papel que a FAAP me preparou para exercer: o de cidadã que não se contenta com a superfície e exige respeito técnico. O “Destino” deixou de ser uma abstração. Era o asfalto que faltava, o dinheiro público que não poderia mais ser desperdiçado.
Hoje, em abril de 2026, com o Rodoanel finalmente chegando à sua conclusão, vejo que aquele confronto foi um marco pessoal. O Rodoanel é um círculo que se fecha no asfalto, mas a democracia é um círculo que só se completa quando o poder é confrontado pelo olhar atento de quem, cansada da jornada solitária, decide erguer a voz e exigir a verdade.